Nova era em Gibraltar após fim dos controles fronteiriços com Espanha

Carros fazem fila para passar por fronteira da Espanha para Gibraltar em 13 de julho de 2025. Acima deles, (da esquerda para a direita) as bandeiras do Reino Unido, de Gibraltar e da Comunidade das Nações da União Europeia.
Reuters
Os milhares de trabalhadores que cruzam diariamente a fronteira entre Espanha e o enclave britânico de Gibraltar entrarão em uma nova era na quarta-feira (15), com a entrada em vigor do tratado de livre circulação, que elimina os controles fronteiriços.
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O acordo foi assinado nesta terça (14) em Bruxelas após anos de negociações difíceis entre Espanha, Reino Unido e União Europeia na esteira do Brexit. Com isso, Gibraltar ficou alinhado às regras de livre circulação de pessoas prevista pelo Espaço Schengen.
Com cerca de 40.000 habitantes, este pequeno território britânico, situado no extremo sul da Península Ibérica, depende dos 15.500 trabalhadores transfronteiriços que chegam diariamente da Espanha e representam quase metade da sua mão de obra.
Nas horas de maior movimento, formam-se longas filas na fronteira terrestre, onde os documentos são verificados, especialmente em períodos de tensão entre Reino Unido e Espanha, que reivindica a soberania sobre Gibraltar.
Agora no g1
Os controles, no entanto, serão eliminados a partir de quarta-feira, quando o acordo finalmente alcançado entre Bruxelas e Londres entrar em vigor.
Uma fronteira mais tranquila facilitará a contratação e a retenção de trabalhadores residentes na Espanha por parte das empresas de Gibraltar, já que as “dificuldades” de atravessar a fronteira podem ser “consideráveis”, disse à agência de notícias AFP Owen Smith, presidente da Federação de Pequenas Empresas de Gibraltar.
O presidente de Governo da Espanha, Pedro Sánchez, visitará na quarta-feira a zona fronteiriça, onde trabalhadores removeram, nas últimas semanas, a antiga cerca metálica que separava os dois territórios.
“Finalmente, depois de centenas de anos, o último muro remanescente dentro da União Europeia, a cerca do Campo de Gibraltar, será demolido”, declarou o líder socialista em maio, durante um evento do partido.
O ministro-chefe de Gibraltar, Fabian Picardo, saudou o acordo, que elimina “as barreiras físicas de uma era passada de atritos” e permite ao enclave manter “as chaves” do seu “portão principal”.
Pedestres em rua no centro da Cidade de Gibraltar, capital do território ultramarino francês, em julho de 2026.
Reuters
O ditador espanhol Francisco Franco (1939-1975) fechou esta fronteira em 1969, depois de Gibraltar ter votado por grande maioria em referendo pela permanência sob domínio britânico.
O fechamento, que durou 13 anos, interrompeu o fluxo diário de trabalhadores da Espanha para Gibraltar e separou famílias.
Desde então, longas filas na fronteira entre Gibraltar e Espanha retornaram durante períodos em que as tensões diplomáticas sobre a soberania do território levaram a Espanha a intensificar os controles.
Com uma economia baseada em serviços financeiros e sede de empresas de jogos online, o pequeno Gibraltar possui uma das maiores rendas per capita do mundo.
