Ao atacar aliados, Trump desmantela alianças sólidas e embaralha ordem global


Trump ameaça bombardear Omã; entenda nova fase da guerra no Oriente Médio
Os cenários apocalípticos e intimidatórios traçados pelo presidente Donald Trump têm como endereço os aliados de longa data dos EUA. Foi assim com a Otan e o Canadá e, mais recentemente, com Omã e a Coreia do Sul.
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Aos poucos, o presidente americano desmantela alianças sólidas com uma retórica impulsiva, alimentando a desconfiança e a percepção, cada vez mais forte, de abandono da superpotência aos seus parceiros tradicionais.
O tom ameaçador e os ataques de Trump são sistemáticos, mas se intensificaram com a guerra contra o Irã. Parceiros tradicionais dos EUA se distanciaram do conflito, levando o presidente a revidar a frustração.
Na segunda-feira (17), ele alertou que bombardearia Omã “até não sobrar mais nada”, caso o sultanato, que atua como mediador, atrapalhasse as negociações entre EUA e o regime teocrático para a reabertura do Estreito de Ormuz.
A fúria de Trump se explicava pelo fim do prazo de 60 dias do memorando de entendimento com a República Islâmica, classificado por ele como o maior acordo já firmado com o Oriente Médio. No entanto, a resolução não surtiu o efeito esperado, para pôr fim à guerra de seis meses e ao impasse para desbloquear a via marítima, responsável por 20% do comércio mundial.
Trump se esforçou para exibir musculatura nas redes sociais, publicando a imagem do Estreito de Ormuz com a legenda “Novo Território dos EUA”, como fez anteriormente com o Canadá e a Groenlândia. Mas a tática parece desgastada e já não mobiliza simpatizantes, aliados ou adversários.
Outra demonstração de raiva foi dirigida à Coreia do Sul, criticada pela primeira vez pelo presidente americano, por se recusar a se envolver no conflito com o Irã. Ele ordenou a redução dos exercícios militares conjuntos. Inicialmente previstos para durar até o dia 27, foram encurtados e terminam nesta sexta-feira.
“Temos 39 mil soldados lá protegendo vocês de Kim Jong-un, seu vizinho, e vocês não vão nos ajudar em uma operação militar muito simples no Irã?”, alegou.
O presidente Donald Trump conversa com repórteres após chegar a bordo do Air Force One na terça-feira, 11 de agosto de 2026, na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland
Mark Schiefelbein
Trump deu outras justificativas para anunciar repentinamente a suspensão do treinamento anual com o aliado: o custo da operação americana e o propósito manter um bom relacionamento com o ditador da Coreia do Norte e não parecer hostil.
“Ele gosta de mim e eu gosto dele. Eu me dei muito bem com ele”, explicou, referindo-se a Kim, com quem se encontrou três vezes no primeiro mandato.
No entender da pesquisadora Dokyoung Koo, do Centro Scowcroft para Estratégia e Segurança do Atlantic Council, o aspecto mais preocupante na decisão de Trump não é a simples redução dos exercícios militares, mas a forma como a decisão foi tomada.
“Anunciar uma mudança tão drástica no próprio dia em que o exercício começou, sem consulta prévia adequada a Seul, fica aquém do respeito que os aliados deveriam esperar uns dos outros. Outros aliados dos EUA também podem se perguntar o que isso revela sobre a forma como Washington administra suas alianças”, resume.
Decisões são calcadas no ímpeto e na revanche pessoal do presidente, sem priorizar questões de segurança que nortearam a política externa dos EUA.
Nesta embaralhada teia diplomática pessoal, a ordem parece ter se invertido: aliados são desprezados por Trump, enquanto o tirano norte-coreano, aliado da Rússia e da China, é enaltecido.
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