Imigrantes que seguem em Ceuta dormem em praia vigiada pela polícia; são de 3 a 5 mil, estimam autoridades

Imigrantes do Marrocos que seguem em Ceuta dormem em praia ao relento
Grande parte das pessoas que entraram em Ceuta, cidade autônoma da Espanha no norte da África, na última quinta-feira (30), já retornaram ao Marrocos, mas de 3 a 5 mil permanecem no local, segundo autoridades espanholas.
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Nesta segunda-feira (3), a agência de notícias Reuters mostrou que quem decidiu permanecer no local, segue sofrendo com a lotação do abrigo de acolhimento de imigrantes. Registrou dezenas de homens dormindo ao relento, na praia de El Trampolin.
Muitos estavam enrolados em toalhas para se protegerem do vento, enquanto veículos do Exército e da polícia patrulhavam a estrada atrás deles.
Um dia antes houve confronto entre policiais e alguns imigrantes, que não ficaram satisfeitos ao saber que teriam que permanecer em um local determinado e sob controle dos agentes.
Um agente da polícia usa um cassetete para atingir um migrante durante confrontos entre migrantes e policiais
REUTERS/Pedro Nunes
A Espanha estima que cerca de 69.500 migrantes retornaram a Marrocos nos últimos quatro dias, superando as estimativas iniciais de cerca de 50 mil chegadas a Ceuta na quinta.
Antes mesmo da grande invasão que ocorreu na semana passada, os imigrantes que haviam chegado a Ceuta nos dias anteriores já estavam sofrendo com a falta de ajuda e infraestrutura de apoio, causadas pela superlotação do abrigo de acolhimento local.
O líder de Ceuta, Juan Jesus Vivas, disse à emissora Telecinco que dois centros de acolhimento de migrantes — um para adultos e outro para menores — haviam “entrado em colapso”.
O funcionário local Alberto Gaitan afirma 862 menores migrantes, que gozam de proteção legal especial contra a deportação, estão na cidade.
Sem local para dormir e com o comércio todo fechado, devido ao medo de saques, vários dos marroquinos que fizeram a travessia na quinta ficaram pouco mais de 24 horas no território espanhol e retornaram para casa.
No sábado (1º), a Reuters registrou centenas dos imigrantes sendo escoltados por militares até a fronteira, além da instalação de uma barreira flutuante no mar para evitar travessias ilegais pela água.
De acordo com o governo espanhol, 72 morreram ao tentar atravessar a nado.
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Neste domingo (2), o representante do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez, disse a jornalistas no domingo que, além das 72 mortes, mais de mil pessoas receberam atendimento dos serviços de saúde.
Segundo ele, a situação no enclave melhorou consideravelmente, mas ainda há muito a ser feito para restabelecer a normalidade.
Em um comunicado, também no domingo, o Ministério do Interior do Marrocos atribuiu o fluxo migratório à desinformação nas redes sociais, às redes de tráfico humano e à má interpretação de uma decisão espanhola que proíbe o retorno imediato de migrantes interceptados no mar.
A declaração também reiterou o compromisso do país em combater a migração ilegal e apelou para que o ônus da gestão migratória seja compartilhado.
Imigrantes em praia de Ceuta
REUTERS/Violeta Santos Moura
Ceuta é uma cidade autônoma da Espanha localizada no norte da África. Junto com Melilla, é um dos únicos territórios da União Europeia que fazem fronteira terrestre com a África.
A cidade fica na costa do Mar Mediterrâneo, em frente ao Estreito de Gibraltar. Apesar de pertencer à Espanha há séculos, o Marrocos reivindica a soberania sobre o território, o que gera atritos diplomáticos recorrentes.
Por fazer parte da Espanha, Ceuta também integra a União Europeia. Para muitos migrantes, entrar na cidade representa a primeira porta de acesso ao bloco europeu.
Mapa mostra localizações de Ceuta e Melilla, exclaves espanhóis na África, em meio a crise migratória em julho de 2026.
Dhara Pereira e Lara Bernardino/Arte g1