Terremoto no Japão: sobreviventes que escaparam de shopping relatam ‘cenário de pânico’


Equipes buscam por sobreviventes após terremoto de magnitude 7,1 no Japão
Funcionários do shopping no sul do Japão cujo teto desabou após o forte terremoto que atingiu o Japão na terça-feira (29) relataram como conseguiram deixar o local e o “cenário de pânico” dentro do local.
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➡️ O shopping também sofreu uma explosão que sacudiu o prédio e fez o teto desabar, como consequência de um terremoto de magnitude 7,1. Autoridades locais afirmam que dezenas de pessoas que estavam no local ficaram presas debaixo dos escombros.
Equipes de resgate, inicialmente receosas de entrar nos escombros, retiraram oito pessoas do local parcialmente desabado na madrugada de quarta-feira; três delas estavam mortas — no total, 13 pessoas morreram no Japão como consequência do terremoto, segundo o governo japonês. A operadora do shopping, a Aeon, disse que investigava um possível vazamento de gás após o tremor.
👉 Os sobreviventes relataram ter sido arremessados ​​ao chão e envoltos em uma nuvem de poeira após a explosão. Eles contaram que foram rapidamente orientados por seguranças do shopping a deixar o local após assistirem horrorizados a uma explosão que rasgou o edifício, expondo as vigas de aço da estrutura e lançando destroços pelo estacionamento.
“Pensei que uma bomba tivesse explodido”, disse à agência de notícias Jiji Press Takateru Sonoda, de 41 anos, proprietário de um estabelecimento. “Havia pessoas pedindo para que outros evacuassem o local e sirenes tocavam. As estradas próximas estavam congestionadas; era um cenário de pânico”.
Um funcionário de uma das 200 lojas do shopping disse ao jornal japonês “Yomiuri” que o tremor de sacudiu o prédio por 10 segundos e o fez cair. Outro funcionário, de 22 anos, que trabalha no cinema do shopping, contou ao jornal que o terremoto levantou uma nuvem de poeira, intensificando o pânico.
Do outro lado da rua, em um bar a cerca de 300 metros do shopping, Kazuya Tsurunaga limpava pratos e copos quebrados pelo terremoto anterior quando ouviu a explosão ensurdecedora.
“Uma grande nuvem de fumaça subia e, como o vento soprava em direção ao estabelecimento, parecia que cinzas vulcânicas estavam caindo ao nosso redor”, disse ele à emissora TBS.
O presidente da Aeon, Akio Yoshida, disse em uma coletiva de imprensa na quarta-feira que a equipe evacuou 3.000 clientes em um intervalo de meia hora após o terremoto. No entanto, algumas pessoas infelizmente ainda estavam no local quando, 50 minutos depois, ocorreu a explosão.
“Confirmamos que todos os clientes haviam sido evacuados. Acreditávamos que os funcionários também tivessem saído, mas descobriu-se mais tarde que algumas pessoas haviam permanecido lá dentro ou retornado por algum motivo”, disse Yoshida.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou na quarta-feira que se tratava de uma “corrida contra o tempo” para resgatar as pessoas ainda presas no shopping e outras afetadas pelo terremoto. Cerca de 170 soldados foram mobilizados para auxiliar nas operações de resgate no local.
Nas primeiras horas, policiais e bombeiros não entraram nos escombros devido ao risco de novos desabamentos da estrutura em meio a uma série de réplicas sísmicas, informou uma autoridade policial. Até o final de terça-feira, mais de 100 réplicas haviam ocorrido em Kumamoto.
O shopping, o maior da província, havia reaberto no mês passado como um complexo de compras e entretenimento renovado e aprimorado, para celebrar sua recuperação após outro terremoto fatal ocorrido uma década antes.
Após sofrer danos graves no terremoto de magnitude 7,3 em Kumamoto, em abril de 2016, a operadora destacou, como parte da reforma, os tetos com reforço sísmico e melhorias gerais na segurança e na resiliência da estrutura.
Vazamento de gás
Shopping no Japão desaba após terremoto
Reprodução/TV Globo
Imagens de vídeo feitas por um policial dentro do prédio na manhã de quarta-feira mostravam grandes partes do teto desabadas, fachadas de lojas destruídas e móveis espalhados pelo chão (veja acima).
Alguns socorristas relataram sentir cheiro de gás, disse o porta-voz do governo do Japão, Minoru Kihara, em coletiva de imprensa na quarta-feira. Um correspondente de TV que cobria o local informou que um veículo de emergência alertava as pessoas para não se aproximarem do shopping devido a um possível vazamento de gás.
Representantes da Aeon informaram que o shopping utilizava GLP (gás liquefeito de petróleo) em vez de gás encanado, abastecido por um tanque de armazenamento externo. O sistema havia passado por uma inspeção de segurança no mês passado, segundo a empresa.
As imagens mostraram que o tanque de armazenamento externo parecia intacto após a explosão.
O fornecimento de gás encanado é interrompido automaticamente pelas operadoras da rede caso a atividade sísmica atinja um determinado nível ou a tubulação sofra danos. Mas o GLP também conta com protocolos de segurança desse tipo, afirmou um representante da associação japonesa de empresas de GLP.
Medidores controlados por microcomputador interrompem automaticamente o fornecimento caso detectem anomalias, como vazamentos ou flutuações de pressão, e são projetados para cortar o abastecimento durante atividades sísmicas de grande intensidade, disse o representante.
Fornecedores de gás e prestadores de serviços de segurança também podem interromper o fornecimento remotamente, via transmissão de rádio, em situações de emergência, acrescentou ele.
Yoshida afirmou que a probabilidade de a explosão ter sido causada por gás era “muito alta”, mas ressaltou que investigações minuciosas eram necessárias para entender exatamente o que falhou.
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