Brasil ganha 9.215 novos milionários em 2025, mas segue entre os países mais desiguais do mundo, diz UBS


Quem são os brasileiros mais ricos segundo nova lista de bilionários da Forbes
O Brasil ganhou 9.215 novos milionários em 2025 e encerrou o ano com 386 mil pessoas com patrimônio superior a US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões), segundo o Global Wealth Report 2026, divulgado nesta terça-feira (30) pelo banco UBS.
O avanço representa um crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior e mantém o país como o que concentra o maior número de milionários da América Latina.
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Apesar do aumento da população de alta renda, o relatório mostra que o Brasil continua entre os países com maior concentração de riqueza do mundo.
O país ocupa a 4ª posição entre os 56 mercados analisados, com um coeficiente de Gini de 0,81, nível que indica forte concentração de riqueza e o coloca em empate com a África do Sul, além de ficar logo abaixo de Rússia e Emirados Árabes Unidos, que lideram o ranking de desigualdade.
Na outra ponta, os países mais igualitários da amostra são a Eslováquia (0,38), a Bélgica (0,46) e o Catar (0,47), onde a distribuição de riqueza é mais equilibrada entre a população.
🔍 O coeficiente de Gini mede o nível de desigualdade na distribuição da riqueza em um país. Quando está mais próximo de 0, indica que a riqueza está mais bem distribuída entre a população; quando se aproxima de 1, significa que uma pequena parcela das pessoas concentra a maior parte do patrimônio, enquanto a maioria possui pouco ou quase nada.
O estudo aponta ainda que cerca de 69% da população adulta brasileira possui patrimônio inferior a US$ 10 mil (cerca de R$ 51 mil), permanecendo na base da pirâmide da riqueza global.
Ao mesmo tempo, a riqueza coletiva dos bilionários brasileiros avançou mais de 50% em 2025, impulsionada tanto pela valorização dos patrimônios quanto pelo surgimento de novos bilionários.
Outro dado destacado pelo UBS é o elevado nível de endividamento. No Brasil, as dívidas representam 23,4% da riqueza bruta, uma das maiores proporções entre os países analisados.
Já os ativos financeiros — que incluem dinheiro em conta, poupança, ações, títulos, fundos de investimento e previdência privada — correspondem a 73,3% da riqueza bruta dos brasileiros.
O relatório também mostra que, apesar do crescimento do número de milionários, a evolução da riqueza da população como um todo foi mais limitada.
Desde 2020, a riqueza média por adulto no Brasil caiu 3,13%, quando medida em moeda local e descontada a inflação.
Riqueza global cresce
No mundo, a riqueza pessoal cresceu 10,8% em 2025, mais que o dobro do ritmo registrado nos dois anos anteriores
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No mundo, a riqueza pessoal cresceu 10,8% em 2025, mais que o dobro do ritmo registrado nos dois anos anteriores, impulsionada pelo bom desempenho dos mercados financeiros e pela valorização de ativos não financeiros.
Com esse avanço, o planeta ganhou quase 1 milhão de novos milionários, elevando o total para 57,5 milhões de pessoas. Os Estados Unidos responderam por quase metade desse crescimento.
O número de bilionários também aumentou, chegando a 3.302, alta de 13,1% em relação a 2024. Já a riqueza conjunta desse grupo avançou 25%.
Apesar da expansão global, o UBS ressalta que o crescimento ocorreu de forma desigual. Em muitos mercados, a riqueza mediana caiu, indicando que os ganhos ficaram concentrados entre as pessoas de maior patrimônio.
Segundo o banco, as oscilações cambiais também influenciaram os resultados. A desvalorização do dólar frente a moedas como o euro impulsionou o crescimento da riqueza, quando convertida para a moeda americana, especialmente nos países da Europa.
O Global Wealth Report 2026, do UBS, estima a riqueza em 56 países usando modelos estatísticos com base em dados de organismos internacionais como Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização das Nações Unidas (ONU).
O estudo define riqueza como tudo o que as pessoas possuem em bens e investimentos (como dinheiro e imóveis), descontadas as dívidas. Os dados são apresentados em dólares e ajustados por inflação e câmbio para facilitar comparações entre países.
O relatório também diferencia média e mediana da riqueza, usa o coeficiente de Gini para medir desigualdade e separa ativos entre financeiros (como dinheiro e investimentos) e não financeiros (como imóveis).

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