Aviões transportando 19 australianas ligados ao grupo Estado Islâmico pousam em Melbourne e Sydney

Pessoas cercam mulher suspeita de ligação com o Estado Islâmico na chegada ao aeroporto de Melbourne, na Austrália, em maio de 2025.
Joel Carrett/AAP Image via AP
Dois aviões transportando 19 mulheres e crianças australianas ligadas ao grupo terrorista Estado Islâmico na Síria pousaram nesta terça-feira (26) na Austrália em meio a uma polêmica no país sobre o destino do grupo.
➡️ As mulheres são australianas que, há cerca de uma década, foram para a Síria para se unir ao grupo terrorista, após uma onda de recrutamentos de jovens pelo grupo através da internet. Muitas se tornaram esposas de combatentes ou comandantes do grupo e tiveram filhos com eles.
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Nos últimos anos, várias delas fugiram do grupo para campos de refugiados na Síria e estão retornando a seus países, com a ajuda de governos ou de lideranças locais. Ao chegar de volta, no entanto, se tornam réus por associação a um grupo terrorista e crimes similares. E enfrentam protestos de parte da população local, contrária ao retorno.
O governo australiano informou que as mulheres desembarcaram nos aeroportos de Sydney e de Melbourne nesta manhã e disse que ainda avaliava o destino de cada uma. Outro grupo de 13 mulheres em situações semelhantes também chegou na Austrália na semana passada.
Em um comunicado, a polícia australiana informou que nenhuma delas foi formalmente acusada dos crimes por enquanto, mas que seguiria investigando as atividades de cada uma na Síria. Do grupo que voltou na semana passada, três mulheres já foram acusadas de escravidão e crimes de terrorismo e permanecem presas.
‘Nada além de desprezo’
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O Ministro do Interior, Tony Burke, disse que qualquer pessoa que tenha cometido crimes “pode esperar enfrentar todo o rigor da lei”.
“O governo não forneceu e não fornecerá qualquer assistência a este grupo”, disse Burke em um comunicado. “Essas são pessoas que fizeram a escolha horrível de se juntar a uma organização terrorista perigosa e colocar seus filhos em uma situação indescritível. E a prioridade do governo, como sempre, é a segurança da comunidade australiana”, afirmou.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, havia declarado anteriormente ao Parlament que “não tenho nada além de desprezo por qualquer pessoa que simpatize com o Estado Islâmico”.
A tentativa do médico clínico geral Jamal Rifi, líder comunitário da diáspora muçulmana libanesa em Sydney, de repatriar 34 mulheres e crianças australianas da Síria fracassou em fevereiro.
As autoridades sírias bloquearam a rota do comboio para Damasco e os mandaram de volta para o campo de Roj, um local no nordeste da Síria, perto da fronteira com o Iraque, onde pessoas ligadas ao Estado Islâmico estão detidas desde a derrota das forças do grupo no Oriente Médio em 2019.
Riji disse à Australian Broadcasting Corp. na terça-feira que as autoridades sírias foram convencidas de que a maioria dos australianos em Roj eram crianças com o direito legal de crescer na Austrália.
“Essas mulheres são mães carinhosas”, disse ele sobre as 19 mulheres que acabaram de chegar à Austrália.
“Aderir voluntariamente ao culto da morte do califado não islâmico é uma decisão terrível. Acredito que algumas dessas mulheres foram enganadas para ir para lá. Algumas são vítimas do culto da morte e outras não”, disse Riji.
Após a partida do último grupo, pelo menos dois australianos permanecem no campo de Roj, incluindo uma mãe que foi impedida de retornar à Austrália em fevereiro por uma ordem de exclusão temporária.
👉 As ordens de exclusão foram criadas por leis introduzidas em 2019 para impedir justamente que combatentes derrotados do Estado Islâmico retornassem à Austrália por até dois anos.
A mulher, com cerca de 29 anos, permaneceu em Roj com sua filha, que ficou incapacitada por ferimentos de estilhaços, informou o jornal “The Australian”. Ela deixou sua casa em Sydney aos 18 anos, em 2015, para se casar com um combatente do Estado Islâmico na Síria, segundo o jornal.
Sua família contratou um advogado em Sydney para contestar a ordem, que impede a mãe de entrar na Austrália até fevereiro de 2028.
O último grupo de australianos retornou da Síria em 7 de maio, também sem ajuda do governo.
Kawsar Ahmed, também conhecida como Kawsar Abbas, de 53 anos, e sua filha Zeinab Ahmed, de 31 anos, foram presas ao desembarcarem em Melbourne sob a acusação de que sua família havia comprado uma escrava yazidi.
Janai Safar, de 32 anos, foi presa no Aeroporto de Sydney ao chegar com seu filho de 9 anos, sob a acusação de pertencer a uma organização terrorista e de entrar ou permanecer em uma região controlada por uma organização terrorista.
O governo australiano repatriou mulheres e crianças australianas de campos de detenção na Síria em duas ocasiões. Outros australianos retornaram discretamente, sem assistência governamental.
